• By Fernanda Ingrid
  • 21 de fevereiro de 2025

O Que é a Superproteção Parental?

Você sente medo ao pensar que seu filho pode sofrer, em alguma medida, quando
você não está por perto? Mamãe, algumas vezes dá aquela vontade de colocá-lo na
barriga de volta, não é mesmo? Papai, se possível, você estaria sempre a frente,
como um escudo, para proteger o seu filho. Acertei?

A superproteção ocorre quando os pais, movidos pelo desejo de evitar qualquer
sofrimento ou frustração, acabam restringindo a autonomia da criança. Esse
comportamento pode parecer um ato de amor e proteção, mas, com o tempo, pode
impactar negativamente o desenvolvimento emocional e social dos filhos.

Segundo o artigo “A Superproteção Parental e seus Impactos Profundos no
Desenvolvimento Infantil” (Kogno), a superproteção pode gerar crianças inseguras,
com baixa resiliência e dificuldades para lidar com desafios. O estudo destaca que,
quando os pais evitam que os filhos enfrentem dificuldades, acabam a privando de
experiências essenciais para o amadurecimento.

É importante que, em situações corriqueiras do dia a dia, seu filho seja encorajado
para o enfrentamento do problema, buscando soluções e, assim, desenvolvendo
autonomia e segurança. Eventos como um conflito com o amiguinho do condomínio,
a baixa nota tirada na prova, ou mesmo tarefas domésticas simples que podem ser
executadas, são ótimas oportunidades para promover o amadurecimento da
criança. Aqui, os pais podem e devem estar ao seu lado, mas apoiando!

De Onde Surge a Superproteção?

A superproteção pode ter diversas origens, e muitas vezes os pais nem percebem
que estão agindo dessa forma. Algumas razões comuns incluem:

  • Medo do sofrimento do filho: Os pais querem evitar que a criança
    passe por dificuldades, acreditando que estão facilitando sua vida.
  • Ansiedade parental: Algumas famílias, principalmente em contextos urbanos ou com histórico de dificuldades emocionais, têm medo excessivo de que algo ruim aconteça com os filhos.
  • Influência cultural e social: Algumas sociedades reforçam a ideia de
    que “bons pais” são aqueles que estão sempre protegendo e resolvendo tudo pelos
    filhos.
  • Experiências da infância: Pais que tiveram uma infância difícil podem
    querer compensar isso oferecendo um ambiente onde tudo seja resolvido para os
    filhos.

O artigo “A Influência dos ‘Pais Helicópteros’ na Superproteção Parental,
Desenvolvimento Infantil e os Direitos das Famílias” (IBDFAM) discute como a
cultura da superproteção pode impactar as novas gerações, levando a um aumento
de jovens adultos dependentes emocionalmente dos pais e com dificuldades para
tomar decisões.

É importante refletir a respeito do ciclo vital humano e, com racionalidade,
compreender que, em alguma fase da vida, os pais poderão não estar mais
presentes e ao lado do filho. Portanto, é preciso educá-lo “para o mundo”, como já
ouvimos de nossos pais também um dia.

Como Transformar a Superproteção em Cuidado Saudável?

Se por um lado a superproteção pode ser prejudicial, isso não significa que os pais
devem ser negligentes. O equilíbrio entre proteção e autonomia é a chave para um
desenvolvimento pleno. Algumas estratégias incluem:

  1. Permitir que a criança enfrente desafios: Não tente resolver todos os
    problemas por ela. Deixe que enfrente pequenas dificuldades e aprenda a lidar com
    frustrações.
  2. Incentivar a autonomia: Deixe que seu filho tome pequenas decisões
    desde cedo, como escolher a roupa que vai vestir ou ajudar nas tarefas de casa.
  3. Ensinar a responsabilidade: Mostre que toda ação tem consequência e
    que assumir compromissos é parte do crescimento.
  4. Dar suporte emocional, não soluções prontas: Ouça os medos e
    dificuldades do seu filho, mas ajude-o a pensar em soluções ao invés de oferecer
    respostas imediatas.
  5. Falar sobre autocuidado e resiliência: Ensine a importância de cuidar
    da própria saúde física e emocional, promovendo hábitos saudáveis e incentivando
    a perseverança diante dos desafios.

Segundo o artigo “Estilos Parentais, Inteligência Emocional e o Enfant Roi: Uma
Abordagem Psicológica” (Scielo), a criação de um ambiente onde a criança tenha
voz e responsabilidade contribui para um desenvolvimento emocional mais
equilibrado e uma maior capacidade de lidar com o mundo real.

Colocando em prática: lição de casa para os pais

Agora que você já compreendeu um pouco a diferença entre cuidar e superproteger,
propõe-se aqui um desafio. Estão preparados?

  • Experimente permitir que o seu filho faça ou esteja a frente de alguma tarefa
    ou ação até aqui feita por você, seja ela para privá-lo do possível conflito ou
    medo de causar feridas físicas ou emocionais;
  • Depois, nos conte como foi a experiência, seja gravando ou escrevendo um
    depoimento e nos marque nas redes sociais.

Conclusão

Superproteger não é sinônimo de amar. Pelo contrário, um amor verdadeiro também
envolve permitir que os filhos cresçam, enfrentem desafios e desenvolvam sua
independência. Quando os pais encontram o equilíbrio entre cuidado e autonomia,
estão, na verdade, preparando seus filhos para uma vida mais plena, saudável e
feliz.

E você, como tem equilibrado o cuidado com a autonomia na criação dos seus
filhos? Compartilhe sua experiência nos comentários!

Referências:

KOGNO. A Superproteção Parental e seus Impactos Profundos no
Desenvolvimento Infantil: Uma Análise Abrangente. Disponível em:
https://kogno.com.br/a-superprotecao-parental-e-seus-impactos-profundos-no-desenvolvimento-infantil-uma-analise-abrangente/. Acesso em: 20 fev. 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DE FAMÍLIA (IBDFAM). A Influência
dos “Pais Helicópteros” na Superproteção Parental, Desenvolvimento Infantil e os Direitos das Famílias. Disponível em:

https://ibdfam.org.br/artigos/2138/A+Influ%C3%AAncia+dos+%22Pais+Helic%C3%B3pteros%22+na+Superprote%C3%A7%C3%A3o+Parental%2C+Desenvolvimento+Infantil+e+os+Direitos+das+Fam%C3%ADlias. Acesso em: 20 fev. 2025.

SCIELO. Estilos Parentais, Inteligência Emocional e o Enfant Roi: Uma Abordagem Psicológica. Disponível em:

https://scielo.pt/pdf/ref/vserIIIn8/serIIIn8a16.pdf Acesso em: 20 fev. 2025.

Equipe Escola de Pais

Colégio Espaço Verde Rousseau